E eu que acreditei ser um herói,
E que acreditei que a realidade é apenas uma olaria e sua matéria prima.
Eu que quis ser Deus, ser meu próprio Deus, desafiando minha própria expansão.
Eu, eu que não melhor nem pior ousei experimentar.
Eu que quis os sabores,
Os odores,
Eu que quis digerir.
Eu que ousei debochar do temor.
Eu que apenas quis ser eu.
Pleno e inconseqüente.
E você, que está por detrás do que eu desconheço.
Você que é apenas sombra quando sou sol.
Você que é sublime como a anti-matéria.
Você, que é apenas verbo e nunca carne.
Você que é apenas o vento invisível e avassalador da tempestade.
Eu sou por um instante. Você se desfaz por entre redes.
Eu que não te encontro, enfim, te desafio a me amar!

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