I stumbled into faith and thought...
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Once time in the world
Era uma vez... ha muuiiiitas horas atras, um rapaz que morava em uma terra distante, em um vale onde o horizonte era belo mas sem encanto.
Na verdade, era uma aldeia cheia de natureza mas sem muita magia.
Esse rapaz tinha bons amigos, gostava de passear pelas aldeias vizinhas, mas havia um horizonte, um horizonte para além de sua aldeia, um horizonte por cima das montanhas, um horizonte que se escondia...
Era como se ele pudesse sentir o cheiro desse horizonte, mas não o pudesse tocar.
Então, em uma tarde de fim de ano, uma dessas tardes onde o sol nasce dourado e os girassois encantados pelo seu amo, sorriem como se inebriado estivessem; esse rapaz decidiu ir ao encontro da linha do horizonte.
Porém, por incrivel que pareça, era só ele se aproximar, a cada passo que ele dava, cada tentativa de contato, ela se distanciava.
Era uma linha encantada, hora demarcada pelo pôr do sol, hora demarcada por um imenso arco-iris....Porem, ao se distanciar, a linha o conduzia para um outro lugar.
Como que por uma intuição, ele apenas se deixara ser levado por essa linha, era como seguir um ritmo proprio, sem esforço, era entrar na corrente e deixar-se levar pelo fluxo...
Para sua grande surpresa, em uma noite escura e cheia de estrelas ele chegara a um lugar diferente.
Era como uma reunião de homens afoitos e hávidos, a noite transcorrera de uma forma segredosa e cálida, o chão se movimentava, olhares se cruzavam, a bebida lá realizara, com eficacia e eficiencia, seu importante papel...
E naquele momento, aquele rapaz, sentiu como se a linha do horizonte tivesse parado de se movimentar, cansado de se distanciar, estava ela ali, à sua frente.
Então, ele, temeroso, sem saber ao certo como se aproximar ou como a tocar, de mansinho ele se aproximou, sorrateiramente, um tanto quanto temeroso, e repousou os seus dedos sobre ela. E aquilo foi por um instante, o todo se materializando em um só objeto, e então, seu corpo tremeu, e tudo a sua volta se estancou em um eterno silencio; o Senhor Tempo parou seu trabalho para observar, de soslaio, o encontro entre a linha do horizonte e o simplies rapaz.
Então ele percebeu a dádiva... talvez naquele momento tenha-se desenhado a historia trágica.
Antes do sol romper, ele descobriu que a linha do horizonte guardava segredos de inumeros por do sol, guardava segredos de um horizonte marcado por muito amor, mas tambem muita dor.
E ao longo de todo o tempo, a linha se confundia com o horizonte, uma mistura de passado e presente.
Era uma linha que, por suas experiencias, se achara merecedora de um horizonte pleno.
Era meio pernostica, sabe, caro leitor?! como a rosa do pequeno principe...
E foi assim, que em plena Ilha da Magia, se desfez a magia!
Então, aquele rapaz que morava em um vale onde o horizonte era belo, descobriu que as lagrimas lavam a alma, e que a linha do horizonte é apenas um Deus solitário e admirado por todos os seres humanos, exatamente porque se demonstra tão belo e dotado de todas as certezas.
As vezes, penso: essa linha apenas gosta de ficar entre mares e montanhas, em uma grande ilusão de presença.
O rapaz, a partir de então, entendeu que o horizonte é apenas uma linha imaginária que se distancia toda vez que se tenta aproximar...
E, aquele momento na Ilha da mágia, fora guardado em seu coração como um lapso de instante onde o tempo parou.
É, o horizonte tem lá seus misterios, seus medos... Mas no fundo, apenas deseja repousar sobre um braço de mar, ou, quiça, uma montanha.
Será que ele tem medo de sua propria sombra ou de se afogar?!
Essa é uma pergunta, que deixa sua rúbrica como os guizos, quando olhamos para o céu e nos perguntamos:
"Terá ou não terá carneiro comido a flor?"
quinta-feira, 14 de abril de 2011
slide away...
E porque a vida é assim, há de se amar.
E porque a dor é assim, ei de respirar, para aquem ou para alem mar.
E porque o ar me adentra como uma agulhada, ei de rir.
E porque apesar de, a vida sempre continua, e é preciso saber ser um eterno equilibrista.
Uma eterna aurora,
Um constante romper de sombra para depois retornar ao breu.
Não sei bem ao certo quando é sol ou quando é noite
ou mesmo o que faço da noite que rompe o véu do que nunca fui.
Nunca fui?! talvez por isso, talvez, o lacrimejar ao vislumbrar essa linha do horizonte.
Ela é real ou imaginaria?!
Ela existe, dentro de mim.
Ela é o temor do que nunca fui,
Ela é a solidão do que sempre fui.
Ela é a ausencia que acorda e me abraça.
Ela é o rosto que sem me perceber, por uma fração eterna de segundos, construímos uma vida.
Ela é o envelhecer de mão dadas.
Talvez ela seja a ultima, idosa, lágrima.
Talvez ela seja esse nada que tanto busco expressar, apenas por ser nada!
domingo, 10 de abril de 2011
Anti-matéria
E eu que acreditei ser um herói,
E que acreditei que a realidade é apenas uma olaria e sua matéria prima.
Eu que quis ser Deus, ser meu próprio Deus, desafiando minha própria expansão.
Eu, eu que não melhor nem pior ousei experimentar.
Eu que quis os sabores,
Os odores,
Eu que quis digerir.
Eu que ousei debochar do temor.
Eu que apenas quis ser eu.
Pleno e inconseqüente.
E você, que está por detrás do que eu desconheço.
Você que é apenas sombra quando sou sol.
Você que é sublime como a anti-matéria.
Você, que é apenas verbo e nunca carne.
Você que é apenas o vento invisível e avassalador da tempestade.
Eu sou por um instante. Você se desfaz por entre redes.
Eu que não te encontro, enfim, te desafio a me amar!
segunda-feira, 7 de março de 2011
no need to say goodbye
O dia havia nascido como outro qualquer, a brisa soprava do mar passando por um túnel de prédios que a direcionava até os pés do Cristo Redentor, que da janela do quarto se assemelhava mais a uma tradicional nuvem de chuva do que uma das sete maravilhas do mundo.
Retorno ao quarto e já não sei qual será ao certo o destino daquele dia que acabara de nascer em minha pele. Mais um local onde vou ao meu encontro, mas chego após a minha partida. Mais um vazio querendo se preenchido, são tantos que não poderia realmente haver.
Desço, vou até a rua, constantemente cruzada por pessoas à falar, a conduzir sua própria ausência pelo caminho do tudo, todos em passos rápidos, como se atrasados para ‘pegar o ônibus’, subo pela rua Santa Clara e dobro a esquina na Toneleiros; me dirijo à galeria que se encontra próximo à estação Siqueira Campos. Preciso me conectar à rede de amigos virtual, orkut, como em uma esperança de algum recado que me tire daquele mórbido estagio vital. Mas ali me encontro tão vazio no virtual como no real.
São tantas ruas, tantos cruzamentos, tantas verdades conduzindo o destino de tudo pelas ruas de nada, tantos apartamentos, tantas vidas a se condicionar por entre ruas estreitas que atravessam túneis e conduzem-lhes para gaiolas empilhadas, onde em um pseudônimo social tentam contribuir com migalhas e garantir, em contrapartida, migalhas em suas mesas.
E, eu me procuro em cada rosto, em cada detalhe, em cada sentimento abandonado, em cada esquina, e cada uma daquelas pessoas sou eu, e por isso sou nada.
A noite cai, a nuvem abandona a estátua que permanece inerte, de braços abertos, a observar a cidade com a mesma indiferença e seriedade que uma águia no alto do seu ninho.
A cidade se ilumina, os papeis se invertem, os trabalhadores, em trens lotados, atravessam a cidade em covas férreas, por cima, nos cruzamentos pubianos, os boêmios se preparam para mais um dia de lubrificação social. Ambos interagem e faz com que a dinâmica seja permanente.
Sou o primeiro a chegar, apesar das luzes e o som acompanhando o ritmo do coração, tudo se encontra em um silencio mórbido, não me sinto em casa, preciso saber os movimentos que devo fazer.
Desço e compro uma dose de tequila, o “barman” me pergunta: “prata ou dourada”? digo a ele que não me importa, desde que seja uma dose bem servida. Preciso deixar de racionalizar o ambiente e apenas sentir; vou tentar me manter neutro, sem maiores pretensões, isso é impossível.
Quatro e meia da manhã, um espanhol mal falado, tento me comunicar, uma chuva fina derrama sobre as luzes da rua Raul Pompéia, a partir dali meu destino é incerto, em um ponto de ônibus desejo um que me leve até à Lapa. Tudo é novo, quem sou e quem está do meu lado. “ Que o líquido fermente, se separem as sementes…é…. manhãs e os pingos nos ‘is’, que a lente do amor aumente, faça presente o que era ausente, porque só se vive por um triz”.
Consigo entrar em um vã que nos conduz até a Lapa, o bairro se encontra ermo, apenas alguns mendigos e a sensação de plena ditadura a soprar vozes sinistras por entre as janelas dos sobrados antigos. Os restos mortais de uma noite, para os mendigos que se apóiam nos arcos. Para mim a consumação de um noite. Ambos na mesma situação; Enquanto alguns mendigam alimento, eu mendigo vida pulsante. “ meu coração é uma balde despejado. Como os que invocam espíritos, invoco a mim mesmo e não encontro nada”.
Pego um táxi e mergulho em um outro universo, longe de qualquer realidade, busco um hotel onde eu possa passar o resto da noite.Tudo tilinta e ofusca de tanta novidade. O local, a situação, a forma, a língua, as ruas, a casa, os primeiros raios do sol, o quarto do hotel, a química, o beijo, a tv mal posicionada, o ventilador, os corredores e as escadas a estalarem.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Brasília, 21 de Fevereiro de 2011
Me ponho em uma margem, e desse lado de cá me disponho a descrever o que vejo do lado de lá dessas águas que se movem inspiradamente lentas.
Quanto as angustias e medos, que já vão se dissolvendo, não sei ao certo se em uma constante falta de perspectiva ou em um não importar constantes. E se importasse, o que modificaria no itinerário dessas águas que se movem, com ou sem corredeiras, em direção ao mar?! O doce rio encontra o mar de sal.
As palavras, ao saírem, são lágrimas salgadas. Não, na verdade são gotas de sangue. Não, nem um nem outro, são simplesmente lágrimas humanas. Santificadas e imortalizadas pelo templo do coração, talvez por um errante coração, ou um muito esquecido coração. Quem se importaria com as lamentações?! Sem ação ou cor. Como a flor, a 'ultima flor do lacio, inculta e bela'.
Como um poema esquecido, lembrado, e colocado amarrotado dentro das algibeiras, misturado com a poeira e pedacinhos de farelo, farei-o menos triste, pois. Mas artificialmente não sei ao certo se em algum instante se tornará real.
Tenciono-me a descrever, mas vejo que ao fechar meus poros da sensibilidade, torno-me menos errante, mais centrado e mais forte. Por mais que as armaduras pesem e condenem-me ao degredo, vejo que ao me proteger dos perigos externos, dos monstros imaginários criados por mim mesmo, também não me deixo sentir o vento, o calor e o frio tocarem minha pele. Talvez esse seja o preço que se paga. Ouço um constante tilintar ao meu lado, são eles, cada vez maior, um exército de cavaleiros portadores de escudos. Escudos esses cada vez mais resistentes.
Mas, saio da janela e volto à minha realidade com a certeza de que tudo isso são meros sentimentos soltos, aleatórios, que ao certo não me levaria a lugar algum. Não basta conhecer-se, não basta sentir, é preciso, mais que isso, domar-se. E ser fera e adestrador é como ser rei e súdito. É o choque e o fim de um rio que se dissolve docemente nas águas do mar. Tornar-se sal é preciso, caso queira ser grande. Seja lá o que isso significa.
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